quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Nuances



Nuances
marcos | leonidio

Na bela e decadente cidade-cinza
belas-meninas e meninas-belas
ocupam espaciais vertigens.

Na bela e decadente cidade-cinza
belas-meninas e meninas-belas
divergem olhares
mas buscam os mesmos finais!

Na bela e decadente cidade-cinza
belas-meninas e meninas-belas
ocupam hiatos
sociais e velados.

Na bela e decadente cidade-cinza
belas-meninas e meninas-belas
transacionam
virtualidades infames.

Na bela e decadente cidade-cinza
belas-meninas e meninas-belas
fazem parte da porção azul
mas desenvolvem-se da porção vermelha.

porta fechada


PORta FECHAda
m.leonidio

a porta se fechou
nada mais vai mudar isso [...]
enterramos agora, aquele nosso compromisso
o acordado, dolorosamente findou

a porta se fechou
você teve tempo pra perceber [...]
que não haveria retroceder
o pleno, arredondado, desintegrou

a porta se fechou
e não há como recompor [...]
fez-se noite o esplendor
o doce sabor, amargou!

a porta se fechou
enalteça seu feito
o sonho era colorido - agora é imperfeito
o impermeável encharcou [...]

sábado, 14 de fevereiro de 2009

NUanCES da AmiZaDE



14 de Fevereiro, Dia da Amizade

Nuances da Amizade |||| Marcos Leonidio

A amizade pode ser
uma maçã vermelha, incrivelmente perfeita,
capaz de refletir sua alma e o brilho do seu sorriso.

A amizade pode ser
um formoso conjunto de flores do campo
tocadas apenas pela suave brisa do norte
e banhadas pelo aconchegante sol do sul.

A amizade pode conter
traços magistrais de Picasso,
viagens transcendentais de Van Gogh,
surrealismo introspectivo de Dalí,
ousadia vanguardista de Tarsila.

A amizade pode ser sentida
nos textos viscerais, de
Drummond, Cecília Meirelles, Vinícius,
Castro Alves, Mario Quintana, Manuel Bandeira,
Gonçalves Dias e cia.

A amizade pode vociferar
verdades indivisíveis
- a partir de um olhar profundo
- de um gesto mais agudo
- de um sorriso amarelo
- ou, de um pranto singelo.

A amizade pode transformar
- terras infertéis
em solos fecundos
- vontades indigestas
em realizações promissoras
- virtuais moribundos
em cavalheiros d'aurora.

Como? [...]

Fecundando-a, alimentando-a,
emancipando-a, relacionando-a
aos seus sentimentos mais pungentes.

A amizade pode quase tudo [...]

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Não deixe sua alma envelhecer



Não deixe sua alma envelhecer,
se for preciso,
vá para o outro lado do espelho,
a acaricie, a cubra de beijos,
a rejuvenesça plena.

Não deixe sua alma envelhecer,
senão o corpo padece,
sua natureza entristece, inerte.
Senão as maleabilidades da vida
tornam-se rijas e inoperantes.

Não deixe sua alma envelhecer,
o tempo não precisa ser administrado,
ele precisa somente ser vivenciado!
Não tente elucidar todos os mistérios,
será em vão [...]

Não deixe sua alma envelhecer,
também não deixe que ela amadureça muito,
só o suficiente para tornar a vida mais leve.
Se houver excesso de amadurecimento,
tudo fica muito previsível,
e sua coragem em buscar o desconhecido
é substituída pela covardia,
pela conservadora mania que temos,
de prever o resultado,
antes de processar cada equação.

Não deixe sua alma envelhecer,
deixe que ela se sinta permanentemente jovem,
vigorosa, audaz e aventureira.

Marcos Leonidio

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

coração despedaçado



coração despedaçado
m.leonidio

você me fez conhecer a Lua
e outras galáxias
me embeveceu - sem que eu
tivesse tomado uma única taça de vinho

você me fez navegar em mares serenos e azuis
laureados por noites sensuais e enluaradas
manhãs cristalinas e ensolaradas

você reavivou todos os sentimentos
há tempos adormecidos
minha fuga se fez desnecessária
era preciso viver a vida intensamente

você - independente
não se deixou aproximar muito
arredia! você racionalizou
todo aquele sentimento
e me fez um juramento:
viver feliz, mesmo longe de mim!

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

abismo



aBi____S______mO
-- marcos leonidio --

nada mais nos aproxima
nem o doce sabor do verão
nem as manhãs que anunciam a primavera
nem as tardes que celebram o outono
nem nossos banhos de piscina à beira-mar

nada mais nos aproxima
nem as divergências circunstanciais
nem a vontade de querer bem
nem a nostalgia que ainda contagia
nem o clamor dos nossos corações

nada mais nos aproxima
nem as revelações do passado
nem as buscas do presente
nem as realizações pro futuro
nem o discurso maduro
temperado por um ciúme imaturo

nada mais nos aproxima
nem as realidades sonhadas
nem os sonhos realizados
nem a apaixonante alegria
dos beijos trocados

nada mais nos aproxima
nem a proximidade dos olhos
nem o calor dos corpos
nem a profundidade das nossas almas
nem o entendimento
desenvolvido a partir
dum doloroso sofrimento

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

crepúsculo 40



crepúsculo 40

o sol se escondeu
atrás de uma montanha obscura de acontecimentos
enquanto isso [...]
estrelas fragmentadas
foram jogadas uma sobre a outra
num canto qualquer do hemisfério norte.

m.leonidio

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

minha mocidade



minha mocidade
leonidio, marcos

é andando pela cidade
que consigo perceber
que consigo sentir
minha mocidade escorregar por entre os dedos
como algo gelatinoso
escorregadio e gorduroso

minha mocidade esvai-se
sem olhar para o lado
por entre as paisagens da grande cidade
algumas vezes
na dor de uma saudade
ou quando se perde
a doce cumplicidade de antes

minha mocidade desassocia-se de mim
incontinente
dona de si
visivelmente estremecida
afinal não soubemos vivenciá-la
nem eu
nem meu tempo

minha mocidade indivisível
já não faz mais parte de mim
ela afugentou-se em outro olhar
para atormentar-me muito antes do fim
de um ciclo
de um tempo que jamais voltará

minha mocidade tinha asas
eu não sabia
minha mocidade era audaz
eu não sentia
minha mocidade era destemida
eu filosofava mais do que vivia
minha mocidade era vanguardista
eu não definia minhas ações

minha mocidade era mais racional
do que eu
deixei-me levar pela percepção
mal fundamentada
e na vida real não existe replay
é preciso viver
cada minuto
cada segundo
de forma ímpar, inédita
e revolucionária.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

um bom amigo



UM BOM AMIGO

Um bom amigo gosta de você
não por aquilo que você tem,
não pela sua posição social,
não pelo poder que você detém.
Mas sim, pelos valores que você carrega na alma,
pela sua forma de encarar a vida,
pela sua alegria de viver.
Um bom amigo gosta de você
pela afinidade das suas almas
e até por algumas divergências que os fazem discutir por horas
determinados assuntos.
Um bom amigo gosta de você
pelo simples fato de você ser assim... como é!
Tão simples como a chuva molhando a terra
para as plantas florescerem!

m.leonidio

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

existo!


marcos leonidio

existo!
ao desavisados
reafirmo que inda existo
apesar de tantos imprevistos [...]

*estou morto prá esse triste mundo antigo
mas acredito num novo amanhecer

existo!
eu insisto
mesmo com o coração aflito
mesmo despercebido
por todos que não querem me ver

existo!
nesse exato momento
e sigo imerso ao vento que sopra frio
propenso a me extinguir


eu insisto
que inda preciso coexistir
mesmo despercebido
aos olhos de quem não quer me ver

existo sim
em cada pensamento
num breve momento
que posso sonhar
entre as estrelas
e o azul do mar

posso até desistir
contrariado e sufocado
mas vais me ver sorrir
em cada sonho ou lembrança
continuarei a existir

* trecho da música Universo do teu corpo, Taiguara

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Rua sem saída



Rua sem saída
|m.a.r.c.o.s.l.e.o.n.i.d.i.o.|

Me encontro numa rua sem saída
aflita sensação de impotência
cravejada em muros altos sem vida
misturados à angustiantes ausências

Não sei se cavo um buraco no chão
e me jogo no sem fim
se relaxo e durmo eterno
se arranco do coração
todos os sons intensos de antes

Tudo findando - definhando
minha alma parece que está sendo arrancada [...]
brutalmente - sem qualquer piedade
minha essencial vida
tá sendo expurgada

Não sou poeta maldito
nem quero que minhas palavras ecoem por aí
quero somente fazê-las voar sobre o mar
quero minhas inquietudes florescendo
a cada amanhecer ou próximas a cada olhar
de quem está sofrendo

Preciso sair desse beco escuro
dessa rua sem saída
preciso iluminar meu pedaço de mundo
reconstituir belezas descontruídas

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

versos-meus


versos-meus
marcos leonidio

uma ausência traféga a minha alma
retém minhas lágrimas
transforma minhas súplicas em nós
que não podem ser desatados

uma nostálgica lembrança
me aquece o corpo no frio da madrugada
um doce fio de esperança
adentra minha árdua cavalgada

um sopro de vento
robustesse meus pensamentos
minhas buscas mal planejadas
meus novos experimentos

um sonho recorrente
renasce dentro de mim, factível
todos os sons e cores ausentes
tornam-se novamente possíveis

nada pode mais me deter
sigo vertical - confiante
lágrimas transformarão sorrisos
sonhos refletirão objetivos
vontades tornarão-se belas paisagens
obviedades espelharão surpresas fatais

quero proferir versos-meus
- indegestos - mal rimados - profanos - mundanos até [...]
tudo que me convier

quero
agradar os revolucionários
maltratar os reacionários

quero ser eloqüente
derreter gélidas e concretas idéias
em prol de novas vertentes!

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Alucinação



ALUCINAÇÃO
LEONIDIO, Marcos [2008]

Estou tentando me encontrar
meus pedaços estão espalhados
por todos os lados
dedos cortados
pescoço guilhotinado
tronco despedaçado
idéias fragmentadas
sonhos destroçados
injúrias enviesadas

Estou tentando me encontrar
pensamentos desencontrados
emoções confusas
conflitos ratificados
pedaços por todos os lados
cabeça sangrando na sala de estar
braços e pernas no cesto de lixo
do banheiro
coração batendo em câmera lenta
dentro de um cofre de segredos
criptografados
corpo inerte apodrece no
tanque de lavar roupa
[...] de lavar alma!

Acordo de repente, suado,
marginalizado, sangrando por dentro [...]
somente por dentro!

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Distração



Não se aproxime muito
você pode se apaixonar
e eu também
Isso pode não ser bom
nem pra mim
e nem pra você

Evite o contato
seja racional
Mantenhamos então
a compostura
esse excesso de frescura

Sigamos assim
incontinentes
mais distantes
do que presentes

Se nos aproximarmos
vai ser a mesma história
um tal vai-e-vem
um jogo de esconde-esconde
um verão em pleno inverno

É melhor que fique assim
você perto de si
e eu perto de mim
longe do recomeço
influenciados pelo doce fim!

M.Leonidio

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Promissão



PROMISSÃO - m.leonidio

Você há de me pagar
Pelo desprezo que me deu
Por tudo que me fez passar
Pela dor que anoiteceu

Você há de me pagar
Pela falta de vontade
Por tudo que me fez sonhar
Pela sua doce-estranha-maldade

Você há de me pagar
Por aquilo que não vivi
Por tudo que me fez deixar
Pela saudade que não vai e finge me sorrir

Você há de me pagar
Pela sua dispersão
Pela maldição de não me querer
Pela vontade de apagar
Pela dificuldade em lhe esquecer

Você há de me pagar
Muito caro, com juros e com ágio
Por essa dor que me faz sangrar
Por todo esse sofrimento desnecessário!

Você há de me pagar
Por todo esse desencanto
Por esse desgostoso naufragar
Por essa devassidão em forma de pranto!

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

O Tempo


O TEMPO – m.leonidio

O Tempo é o Senhor das nossas emoções
ele mede a temperatura dessas erupções
que permeiam nossas vidas em diferentes momentos

O Tempo é o curador das paixões,
das tristezas, das alegrias, dos grandes amores, das grandes decepções [...]

O Tempo nos liberta de certos sentimentos, de certos pensamentos,
mas também nos prende a certos movimentos, nos mantém presos
a memórias e histórias que percorrem cada pulsar [...]

O Tempo é voluntarioso, menino manhoso,
sabe como seduzir nossos ideais e como confundir
nossas idéias, nossas buscas nem sempre tão certas [...]

O Tempo é o gestor consagrado de tudo que vivemos
e está sempre nos sinalizando quais são nossos limites:
emocionais, psicológicos, materiais, amorosos, odiosos,
imateriais, indesejáveis, desejáveis, ardilosos, corporais, existenciais [...]

O Tempo não convém a quem tem pressa
e nem a quem é vagaroso demais
cada um tem que ajustar e equilibrar suas ações
e reações no seu momento exato, nem antes e nem depois [...]
ou será punido impiedosamente, sem qualquer chance de volta!

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Amor arisco



Amor arisco
Marcos Leonidio

Preciso navegar
no azul-verdejante
dos seus olhos
desvendar doces mistérios

Preciso me aprofundar
por entre suas carícias
viver o melhor da vida
desfrutando vorazes delícias

Preciso racionalizar
todo esse envolvimento
tentar entender
o revés de cada movimento

Preciso me desvencilhar
de emoções circunstanciais
transformar em equilíbrio
erupções e desejos emocionais

Preciso me libertar
correr todos os riscos
nessa doce loucura, afundar
seduzir esse amor arisco
realocar os imprevistos [...]

Triste movimento



Triste movimento
Marcos Leonidio

Estou me monitorando
de dentro pra fora
de fora pra dentro

Preciso entender
o que anda acontecendo!
rever conceitos
reavaliando movimentos

Estou me desconcentrando,
envolvido em tantos movimentos
caminho por várias frentes
diluindo ou fomentando sofrimentos

Preciso sacramentar
tantas ações, tantos inventos
mas para caminhar
tenho que viabilizar experimentos

Estou me perdendo
minha essência está afetada
são amargos sentimentos
de tristeza indesejada!

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Quebra-cabeças



Nosso amor era um quebra-cabeças de 1.000 peças.
Aos poucos, estava eu desvendando esses encaixes,
seus mistérios [...] materializando uma tão bela imagem.
Quando eu sentia que era dono da situação, deu pane [...]
Um vendaval de incertezas espalhou grande parte das peças
e ocultou tantas outras, inviabilizou a plenitude tão sonhada.
Joguei a toalha e jamais consegui recompor toda aquela volúpia
que dava aderência e sustentação a cada momento que vivíamos.

Marcos Leonidio