sexta-feira, 6 de março de 2009

NóS ToDoS



NÓS TODOS - m.leonidio

todos nós
temos a obrigação
de desatar todos os nós
que estão atravancando nossa jornada

não importa se são pequenos, médios ou grandes
é preciso desarmá-los, deixá-los soltos
para que possamos voar, navegar ou surfar por aí

se encontrarmos pelo nosso caminho
algumas nozes, capazes de acidentar
nossos passos
também temos obrigação de quebrá-las

não podemos deixar
que os nós fiquem cegos
temos que ser pacientes, hábeis
não é necessário usar força bruta
é preciso flexibilidade e decisão

cuide de seus nós
não deixe que eles interrompam
suas buscas
voe em pensamento
voe pelo tempo!

globalização



GLOBALIZAÇÃO - m.leonidio

acordar
levantar trabalhar comer dormir
acordar

não tá dando tempo nem de sonhar
tudo tem acontecido numa velocidade avassaladora

a repetição dos fatos
passa veloz aos nossos olhos
não esboçamos reação

como parar essa roda viva? [...]
se estamos no meio do furacão
se não conseguimos nos ajeitar
se somos jogados para todos os lados

tudo muito estranho
os sons são aterrorizantes
o silêncio é mortal
e as perspectivas?
estão impregnadas em amargas ilusões

deve haver um jeito
um movimento linear
que obstrua essa loucura
essa contemporaneidade traiçoeira
capaz de tudo destruir
e todos destruir

a globalização precisa
ser fatiada, esmiuçada
distribuída em pequenas porções
e não empurrada goela abaixo
sem piedade
sem necessidade

a ansiedade das mudanças
está sufocando a grande maioria
a respiração ofegante do globo e das nações
já dá sinais de que precisamos reavaliar
e reavaliar
as imposições do mundo moderno [...]

acordar
levantar trabalhar comer dormir
acordar

- refletir agir desacelerar -

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

E assim seja!



E assim seja!
marcos | leonidio

Para que sejamos todos felizes
é preciso sorrir
cometer alguns saborosos deslizes
é preciso deixar de resistir

Para que sejamos todos felizes
é preciso por o pé na lama
realizar os mais secretos fetiches
trafegar por outras entranhas

Para que sejamos todos felizes
é preciso ficar uma pouco à toa
fazer da vida um gostoso release
e experimentar todas as coisas boas

Para que sejamos todos felizes
é preciso se deixar seduzir
assumir enrustidas maluquices
e não ter medo de deixar fluir.

desencanto



desencanto
marcos | leonidio

nosso amor andava de mãos dadas
nas praias
nas ruas
nas enseadas
nas noites chuvosas
nas alamedas
nas praças
nos momentos de dor
nas adversidades
caminhávamos entre espinhos
pra colher a mesma flor.

em algum momento
nossas buscas ficaram turvas
após vento forte
não acompanhamos a curva
a tempestade tomou conta
depois duma noite de ressaca
não houve contenção
nosso amor se perdeu na braqueada¹

nossas mãos se perderam
nossos olhos não voltaram a sorrir
a alma padeceu
perdeu encanto
o sol entristeceu
adormeceu em outro canto!

nota: braqueada¹, pop. pirambeira, abismo, terreno caótico, terreno acidentado.

Nuances



Nuances
marcos | leonidio

Na bela e decadente cidade-cinza
belas-meninas e meninas-belas
ocupam espaciais vertigens.

Na bela e decadente cidade-cinza
belas-meninas e meninas-belas
divergem olhares
mas buscam os mesmos finais!

Na bela e decadente cidade-cinza
belas-meninas e meninas-belas
ocupam hiatos
sociais e velados.

Na bela e decadente cidade-cinza
belas-meninas e meninas-belas
transacionam
virtualidades infames.

Na bela e decadente cidade-cinza
belas-meninas e meninas-belas
fazem parte da porção azul
mas desenvolvem-se da porção vermelha.

porta fechada


PORta FECHAda
m.leonidio

a porta se fechou
nada mais vai mudar isso [...]
enterramos agora, aquele nosso compromisso
o acordado, dolorosamente findou

a porta se fechou
você teve tempo pra perceber [...]
que não haveria retroceder
o pleno, arredondado, desintegrou

a porta se fechou
e não há como recompor [...]
fez-se noite o esplendor
o doce sabor, amargou!

a porta se fechou
enalteça seu feito
o sonho era colorido - agora é imperfeito
o impermeável encharcou [...]

sábado, 14 de fevereiro de 2009

NUanCES da AmiZaDE



14 de Fevereiro, Dia da Amizade

Nuances da Amizade |||| Marcos Leonidio

A amizade pode ser
uma maçã vermelha, incrivelmente perfeita,
capaz de refletir sua alma e o brilho do seu sorriso.

A amizade pode ser
um formoso conjunto de flores do campo
tocadas apenas pela suave brisa do norte
e banhadas pelo aconchegante sol do sul.

A amizade pode conter
traços magistrais de Picasso,
viagens transcendentais de Van Gogh,
surrealismo introspectivo de Dalí,
ousadia vanguardista de Tarsila.

A amizade pode ser sentida
nos textos viscerais, de
Drummond, Cecília Meirelles, Vinícius,
Castro Alves, Mario Quintana, Manuel Bandeira,
Gonçalves Dias e cia.

A amizade pode vociferar
verdades indivisíveis
- a partir de um olhar profundo
- de um gesto mais agudo
- de um sorriso amarelo
- ou, de um pranto singelo.

A amizade pode transformar
- terras infertéis
em solos fecundos
- vontades indigestas
em realizações promissoras
- virtuais moribundos
em cavalheiros d'aurora.

Como? [...]

Fecundando-a, alimentando-a,
emancipando-a, relacionando-a
aos seus sentimentos mais pungentes.

A amizade pode quase tudo [...]

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Não deixe sua alma envelhecer



Não deixe sua alma envelhecer,
se for preciso,
vá para o outro lado do espelho,
a acaricie, a cubra de beijos,
a rejuvenesça plena.

Não deixe sua alma envelhecer,
senão o corpo padece,
sua natureza entristece, inerte.
Senão as maleabilidades da vida
tornam-se rijas e inoperantes.

Não deixe sua alma envelhecer,
o tempo não precisa ser administrado,
ele precisa somente ser vivenciado!
Não tente elucidar todos os mistérios,
será em vão [...]

Não deixe sua alma envelhecer,
também não deixe que ela amadureça muito,
só o suficiente para tornar a vida mais leve.
Se houver excesso de amadurecimento,
tudo fica muito previsível,
e sua coragem em buscar o desconhecido
é substituída pela covardia,
pela conservadora mania que temos,
de prever o resultado,
antes de processar cada equação.

Não deixe sua alma envelhecer,
deixe que ela se sinta permanentemente jovem,
vigorosa, audaz e aventureira.

Marcos Leonidio

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

coração despedaçado



coração despedaçado
m.leonidio

você me fez conhecer a Lua
e outras galáxias
me embeveceu - sem que eu
tivesse tomado uma única taça de vinho

você me fez navegar em mares serenos e azuis
laureados por noites sensuais e enluaradas
manhãs cristalinas e ensolaradas

você reavivou todos os sentimentos
há tempos adormecidos
minha fuga se fez desnecessária
era preciso viver a vida intensamente

você - independente
não se deixou aproximar muito
arredia! você racionalizou
todo aquele sentimento
e me fez um juramento:
viver feliz, mesmo longe de mim!

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

abismo



aBi____S______mO
-- marcos leonidio --

nada mais nos aproxima
nem o doce sabor do verão
nem as manhãs que anunciam a primavera
nem as tardes que celebram o outono
nem nossos banhos de piscina à beira-mar

nada mais nos aproxima
nem as divergências circunstanciais
nem a vontade de querer bem
nem a nostalgia que ainda contagia
nem o clamor dos nossos corações

nada mais nos aproxima
nem as revelações do passado
nem as buscas do presente
nem as realizações pro futuro
nem o discurso maduro
temperado por um ciúme imaturo

nada mais nos aproxima
nem as realidades sonhadas
nem os sonhos realizados
nem a apaixonante alegria
dos beijos trocados

nada mais nos aproxima
nem a proximidade dos olhos
nem o calor dos corpos
nem a profundidade das nossas almas
nem o entendimento
desenvolvido a partir
dum doloroso sofrimento

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

crepúsculo 40



crepúsculo 40

o sol se escondeu
atrás de uma montanha obscura de acontecimentos
enquanto isso [...]
estrelas fragmentadas
foram jogadas uma sobre a outra
num canto qualquer do hemisfério norte.

m.leonidio

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

minha mocidade



minha mocidade
leonidio, marcos

é andando pela cidade
que consigo perceber
que consigo sentir
minha mocidade escorregar por entre os dedos
como algo gelatinoso
escorregadio e gorduroso

minha mocidade esvai-se
sem olhar para o lado
por entre as paisagens da grande cidade
algumas vezes
na dor de uma saudade
ou quando se perde
a doce cumplicidade de antes

minha mocidade desassocia-se de mim
incontinente
dona de si
visivelmente estremecida
afinal não soubemos vivenciá-la
nem eu
nem meu tempo

minha mocidade indivisível
já não faz mais parte de mim
ela afugentou-se em outro olhar
para atormentar-me muito antes do fim
de um ciclo
de um tempo que jamais voltará

minha mocidade tinha asas
eu não sabia
minha mocidade era audaz
eu não sentia
minha mocidade era destemida
eu filosofava mais do que vivia
minha mocidade era vanguardista
eu não definia minhas ações

minha mocidade era mais racional
do que eu
deixei-me levar pela percepção
mal fundamentada
e na vida real não existe replay
é preciso viver
cada minuto
cada segundo
de forma ímpar, inédita
e revolucionária.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

um bom amigo



UM BOM AMIGO

Um bom amigo gosta de você
não por aquilo que você tem,
não pela sua posição social,
não pelo poder que você detém.
Mas sim, pelos valores que você carrega na alma,
pela sua forma de encarar a vida,
pela sua alegria de viver.
Um bom amigo gosta de você
pela afinidade das suas almas
e até por algumas divergências que os fazem discutir por horas
determinados assuntos.
Um bom amigo gosta de você
pelo simples fato de você ser assim... como é!
Tão simples como a chuva molhando a terra
para as plantas florescerem!

m.leonidio

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

existo!


marcos leonidio

existo!
ao desavisados
reafirmo que inda existo
apesar de tantos imprevistos [...]

*estou morto prá esse triste mundo antigo
mas acredito num novo amanhecer

existo!
eu insisto
mesmo com o coração aflito
mesmo despercebido
por todos que não querem me ver

existo!
nesse exato momento
e sigo imerso ao vento que sopra frio
propenso a me extinguir


eu insisto
que inda preciso coexistir
mesmo despercebido
aos olhos de quem não quer me ver

existo sim
em cada pensamento
num breve momento
que posso sonhar
entre as estrelas
e o azul do mar

posso até desistir
contrariado e sufocado
mas vais me ver sorrir
em cada sonho ou lembrança
continuarei a existir

* trecho da música Universo do teu corpo, Taiguara

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Rua sem saída



Rua sem saída
|m.a.r.c.o.s.l.e.o.n.i.d.i.o.|

Me encontro numa rua sem saída
aflita sensação de impotência
cravejada em muros altos sem vida
misturados à angustiantes ausências

Não sei se cavo um buraco no chão
e me jogo no sem fim
se relaxo e durmo eterno
se arranco do coração
todos os sons intensos de antes

Tudo findando - definhando
minha alma parece que está sendo arrancada [...]
brutalmente - sem qualquer piedade
minha essencial vida
tá sendo expurgada

Não sou poeta maldito
nem quero que minhas palavras ecoem por aí
quero somente fazê-las voar sobre o mar
quero minhas inquietudes florescendo
a cada amanhecer ou próximas a cada olhar
de quem está sofrendo

Preciso sair desse beco escuro
dessa rua sem saída
preciso iluminar meu pedaço de mundo
reconstituir belezas descontruídas

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

versos-meus


versos-meus
marcos leonidio

uma ausência traféga a minha alma
retém minhas lágrimas
transforma minhas súplicas em nós
que não podem ser desatados

uma nostálgica lembrança
me aquece o corpo no frio da madrugada
um doce fio de esperança
adentra minha árdua cavalgada

um sopro de vento
robustesse meus pensamentos
minhas buscas mal planejadas
meus novos experimentos

um sonho recorrente
renasce dentro de mim, factível
todos os sons e cores ausentes
tornam-se novamente possíveis

nada pode mais me deter
sigo vertical - confiante
lágrimas transformarão sorrisos
sonhos refletirão objetivos
vontades tornarão-se belas paisagens
obviedades espelharão surpresas fatais

quero proferir versos-meus
- indegestos - mal rimados - profanos - mundanos até [...]
tudo que me convier

quero
agradar os revolucionários
maltratar os reacionários

quero ser eloqüente
derreter gélidas e concretas idéias
em prol de novas vertentes!

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Alucinação



ALUCINAÇÃO
LEONIDIO, Marcos [2008]

Estou tentando me encontrar
meus pedaços estão espalhados
por todos os lados
dedos cortados
pescoço guilhotinado
tronco despedaçado
idéias fragmentadas
sonhos destroçados
injúrias enviesadas

Estou tentando me encontrar
pensamentos desencontrados
emoções confusas
conflitos ratificados
pedaços por todos os lados
cabeça sangrando na sala de estar
braços e pernas no cesto de lixo
do banheiro
coração batendo em câmera lenta
dentro de um cofre de segredos
criptografados
corpo inerte apodrece no
tanque de lavar roupa
[...] de lavar alma!

Acordo de repente, suado,
marginalizado, sangrando por dentro [...]
somente por dentro!

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Distração



Não se aproxime muito
você pode se apaixonar
e eu também
Isso pode não ser bom
nem pra mim
e nem pra você

Evite o contato
seja racional
Mantenhamos então
a compostura
esse excesso de frescura

Sigamos assim
incontinentes
mais distantes
do que presentes

Se nos aproximarmos
vai ser a mesma história
um tal vai-e-vem
um jogo de esconde-esconde
um verão em pleno inverno

É melhor que fique assim
você perto de si
e eu perto de mim
longe do recomeço
influenciados pelo doce fim!

M.Leonidio

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Promissão



PROMISSÃO - m.leonidio

Você há de me pagar
Pelo desprezo que me deu
Por tudo que me fez passar
Pela dor que anoiteceu

Você há de me pagar
Pela falta de vontade
Por tudo que me fez sonhar
Pela sua doce-estranha-maldade

Você há de me pagar
Por aquilo que não vivi
Por tudo que me fez deixar
Pela saudade que não vai e finge me sorrir

Você há de me pagar
Pela sua dispersão
Pela maldição de não me querer
Pela vontade de apagar
Pela dificuldade em lhe esquecer

Você há de me pagar
Muito caro, com juros e com ágio
Por essa dor que me faz sangrar
Por todo esse sofrimento desnecessário!

Você há de me pagar
Por todo esse desencanto
Por esse desgostoso naufragar
Por essa devassidão em forma de pranto!