sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

crepúsculo 40



crepúsculo 40

o sol se escondeu
atrás de uma montanha obscura de acontecimentos
enquanto isso [...]
estrelas fragmentadas
foram jogadas uma sobre a outra
num canto qualquer do hemisfério norte.

m.leonidio

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

minha mocidade



minha mocidade
leonidio, marcos

é andando pela cidade
que consigo perceber
que consigo sentir
minha mocidade escorregar por entre os dedos
como algo gelatinoso
escorregadio e gorduroso

minha mocidade esvai-se
sem olhar para o lado
por entre as paisagens da grande cidade
algumas vezes
na dor de uma saudade
ou quando se perde
a doce cumplicidade de antes

minha mocidade desassocia-se de mim
incontinente
dona de si
visivelmente estremecida
afinal não soubemos vivenciá-la
nem eu
nem meu tempo

minha mocidade indivisível
já não faz mais parte de mim
ela afugentou-se em outro olhar
para atormentar-me muito antes do fim
de um ciclo
de um tempo que jamais voltará

minha mocidade tinha asas
eu não sabia
minha mocidade era audaz
eu não sentia
minha mocidade era destemida
eu filosofava mais do que vivia
minha mocidade era vanguardista
eu não definia minhas ações

minha mocidade era mais racional
do que eu
deixei-me levar pela percepção
mal fundamentada
e na vida real não existe replay
é preciso viver
cada minuto
cada segundo
de forma ímpar, inédita
e revolucionária.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

um bom amigo



UM BOM AMIGO

Um bom amigo gosta de você
não por aquilo que você tem,
não pela sua posição social,
não pelo poder que você detém.
Mas sim, pelos valores que você carrega na alma,
pela sua forma de encarar a vida,
pela sua alegria de viver.
Um bom amigo gosta de você
pela afinidade das suas almas
e até por algumas divergências que os fazem discutir por horas
determinados assuntos.
Um bom amigo gosta de você
pelo simples fato de você ser assim... como é!
Tão simples como a chuva molhando a terra
para as plantas florescerem!

m.leonidio

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

existo!


marcos leonidio

existo!
ao desavisados
reafirmo que inda existo
apesar de tantos imprevistos [...]

*estou morto prá esse triste mundo antigo
mas acredito num novo amanhecer

existo!
eu insisto
mesmo com o coração aflito
mesmo despercebido
por todos que não querem me ver

existo!
nesse exato momento
e sigo imerso ao vento que sopra frio
propenso a me extinguir


eu insisto
que inda preciso coexistir
mesmo despercebido
aos olhos de quem não quer me ver

existo sim
em cada pensamento
num breve momento
que posso sonhar
entre as estrelas
e o azul do mar

posso até desistir
contrariado e sufocado
mas vais me ver sorrir
em cada sonho ou lembrança
continuarei a existir

* trecho da música Universo do teu corpo, Taiguara

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Rua sem saída



Rua sem saída
|m.a.r.c.o.s.l.e.o.n.i.d.i.o.|

Me encontro numa rua sem saída
aflita sensação de impotência
cravejada em muros altos sem vida
misturados à angustiantes ausências

Não sei se cavo um buraco no chão
e me jogo no sem fim
se relaxo e durmo eterno
se arranco do coração
todos os sons intensos de antes

Tudo findando - definhando
minha alma parece que está sendo arrancada [...]
brutalmente - sem qualquer piedade
minha essencial vida
tá sendo expurgada

Não sou poeta maldito
nem quero que minhas palavras ecoem por aí
quero somente fazê-las voar sobre o mar
quero minhas inquietudes florescendo
a cada amanhecer ou próximas a cada olhar
de quem está sofrendo

Preciso sair desse beco escuro
dessa rua sem saída
preciso iluminar meu pedaço de mundo
reconstituir belezas descontruídas

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

versos-meus


versos-meus
marcos leonidio

uma ausência traféga a minha alma
retém minhas lágrimas
transforma minhas súplicas em nós
que não podem ser desatados

uma nostálgica lembrança
me aquece o corpo no frio da madrugada
um doce fio de esperança
adentra minha árdua cavalgada

um sopro de vento
robustesse meus pensamentos
minhas buscas mal planejadas
meus novos experimentos

um sonho recorrente
renasce dentro de mim, factível
todos os sons e cores ausentes
tornam-se novamente possíveis

nada pode mais me deter
sigo vertical - confiante
lágrimas transformarão sorrisos
sonhos refletirão objetivos
vontades tornarão-se belas paisagens
obviedades espelharão surpresas fatais

quero proferir versos-meus
- indegestos - mal rimados - profanos - mundanos até [...]
tudo que me convier

quero
agradar os revolucionários
maltratar os reacionários

quero ser eloqüente
derreter gélidas e concretas idéias
em prol de novas vertentes!

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Alucinação



ALUCINAÇÃO
LEONIDIO, Marcos [2008]

Estou tentando me encontrar
meus pedaços estão espalhados
por todos os lados
dedos cortados
pescoço guilhotinado
tronco despedaçado
idéias fragmentadas
sonhos destroçados
injúrias enviesadas

Estou tentando me encontrar
pensamentos desencontrados
emoções confusas
conflitos ratificados
pedaços por todos os lados
cabeça sangrando na sala de estar
braços e pernas no cesto de lixo
do banheiro
coração batendo em câmera lenta
dentro de um cofre de segredos
criptografados
corpo inerte apodrece no
tanque de lavar roupa
[...] de lavar alma!

Acordo de repente, suado,
marginalizado, sangrando por dentro [...]
somente por dentro!

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Distração



Não se aproxime muito
você pode se apaixonar
e eu também
Isso pode não ser bom
nem pra mim
e nem pra você

Evite o contato
seja racional
Mantenhamos então
a compostura
esse excesso de frescura

Sigamos assim
incontinentes
mais distantes
do que presentes

Se nos aproximarmos
vai ser a mesma história
um tal vai-e-vem
um jogo de esconde-esconde
um verão em pleno inverno

É melhor que fique assim
você perto de si
e eu perto de mim
longe do recomeço
influenciados pelo doce fim!

M.Leonidio

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Promissão



PROMISSÃO - m.leonidio

Você há de me pagar
Pelo desprezo que me deu
Por tudo que me fez passar
Pela dor que anoiteceu

Você há de me pagar
Pela falta de vontade
Por tudo que me fez sonhar
Pela sua doce-estranha-maldade

Você há de me pagar
Por aquilo que não vivi
Por tudo que me fez deixar
Pela saudade que não vai e finge me sorrir

Você há de me pagar
Pela sua dispersão
Pela maldição de não me querer
Pela vontade de apagar
Pela dificuldade em lhe esquecer

Você há de me pagar
Muito caro, com juros e com ágio
Por essa dor que me faz sangrar
Por todo esse sofrimento desnecessário!

Você há de me pagar
Por todo esse desencanto
Por esse desgostoso naufragar
Por essa devassidão em forma de pranto!

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

O Tempo


O TEMPO – m.leonidio

O Tempo é o Senhor das nossas emoções
ele mede a temperatura dessas erupções
que permeiam nossas vidas em diferentes momentos

O Tempo é o curador das paixões,
das tristezas, das alegrias, dos grandes amores, das grandes decepções [...]

O Tempo nos liberta de certos sentimentos, de certos pensamentos,
mas também nos prende a certos movimentos, nos mantém presos
a memórias e histórias que percorrem cada pulsar [...]

O Tempo é voluntarioso, menino manhoso,
sabe como seduzir nossos ideais e como confundir
nossas idéias, nossas buscas nem sempre tão certas [...]

O Tempo é o gestor consagrado de tudo que vivemos
e está sempre nos sinalizando quais são nossos limites:
emocionais, psicológicos, materiais, amorosos, odiosos,
imateriais, indesejáveis, desejáveis, ardilosos, corporais, existenciais [...]

O Tempo não convém a quem tem pressa
e nem a quem é vagaroso demais
cada um tem que ajustar e equilibrar suas ações
e reações no seu momento exato, nem antes e nem depois [...]
ou será punido impiedosamente, sem qualquer chance de volta!

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Amor arisco



Amor arisco
Marcos Leonidio

Preciso navegar
no azul-verdejante
dos seus olhos
desvendar doces mistérios

Preciso me aprofundar
por entre suas carícias
viver o melhor da vida
desfrutando vorazes delícias

Preciso racionalizar
todo esse envolvimento
tentar entender
o revés de cada movimento

Preciso me desvencilhar
de emoções circunstanciais
transformar em equilíbrio
erupções e desejos emocionais

Preciso me libertar
correr todos os riscos
nessa doce loucura, afundar
seduzir esse amor arisco
realocar os imprevistos [...]

Triste movimento



Triste movimento
Marcos Leonidio

Estou me monitorando
de dentro pra fora
de fora pra dentro

Preciso entender
o que anda acontecendo!
rever conceitos
reavaliando movimentos

Estou me desconcentrando,
envolvido em tantos movimentos
caminho por várias frentes
diluindo ou fomentando sofrimentos

Preciso sacramentar
tantas ações, tantos inventos
mas para caminhar
tenho que viabilizar experimentos

Estou me perdendo
minha essência está afetada
são amargos sentimentos
de tristeza indesejada!

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Quebra-cabeças



Nosso amor era um quebra-cabeças de 1.000 peças.
Aos poucos, estava eu desvendando esses encaixes,
seus mistérios [...] materializando uma tão bela imagem.
Quando eu sentia que era dono da situação, deu pane [...]
Um vendaval de incertezas espalhou grande parte das peças
e ocultou tantas outras, inviabilizou a plenitude tão sonhada.
Joguei a toalha e jamais consegui recompor toda aquela volúpia
que dava aderência e sustentação a cada momento que vivíamos.

Marcos Leonidio

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Que mulher é essa!



Que mulher é essa!
m.leonidio

Que mulher é essa [...]
que insiste povoar meu imaginário
desdenha de mim
sem precisar muito se esforçar
atrai-me com seu andar ou seu olhar

Que mulher é essa [...]
pele alva, cabelos negros
me enlouquece quando passa
e aguça incontroláveis desejos

Que mulher é essa [...]
dona duma exuberância singela
é misteriosa-excitante
me dá asas,
mas também fecha portas e janelas

Que mulher é essa [...]
tão diferente,
ternura em forma de gente
doce anjo de pele quente
menina-perigosa-ardente!

Que mulher é essa [...]
que parece surreal
será que a criei: ‘impossível’
ou será natural
sofrer pela sua presença inverossímil?!

Que mulher é essa [...]
que sorri provocadora
não vive na minha
vive em outra
mas imprime sua presença sedutora

Que mulher é essa [...]
mar azul em pleno deserto
vasto campo de flores raras
atração de irresistível beleza
num encontro quase aberto
és incompreensível certeza [...]
dum amor exuberante, decerto!

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Introspecção



INTROSPECÇÃO
Marcos Leonidio


Um silêncio profundo
intenso [...]
tomou conta de mim

Fiquei três dias
sem proferir uma palavra
anestesiado [...]
segui desintegrado

Me exilei entre
seus olhos
e seus pensamentos
tentando prover argumentos

Falei muitas vezes
comigo mesmo
diante do espelho
e não me reconheci
do outro lado [...]
desconstruí impressões
antes nítidas

Distante da realidade
caricaturei outras saídas
reações distraídas
transformaram deformidades
mal pressentidas
em buscas quase consentidas

Pluralidade de sentimentos
manifestaram-se sincronizados
tudo misturado [...]
num mesmo momento
e ordenaram movimentos
antes fragmentados!

Louvor ao amor



LOUVOR AO AMOR
Marcos Leonidio

Louvemos todas as formas de amor
Amores não realizados
amores platônicos
amores enviesados
e até amores biônicos

Louvemos todas as formas de amor
Amores proibidos
amores esquisitos
amores divididos
e até amores esquecidos

Louvemos todas as formas de amor
Amores colegiais
amores maduros
amores ancestrais
e também amores imaturos

Louvemos todas as formas de amor
Amores passionais
amores embevecidos
amores hormonais
e até amores sem libido

Louvemos todas as formas de amor
Amores imperceptíveis
amores explícitos
amores perecíveis
e também amores bem-vividos

Louvemos todas as formas de amor
Amores heterossexuais
amores diferentes
amores homossexuais
e até amores dissidentes

Louvemos todas as formas de amor
Amores com afinidade
amores de paz e de guerra
amores sem maldade
e também amores de outras terras

Louvemos todas as formas de amor
Amores vai-e-vem
amores constituídos
amores que vão pro além
e até amores intempestivos

Louvemos todas as formas de amor
com muito ou pouco pudor
louvemos a irmandade das almas
seja em que plano for [...]

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

A mais bela flor



A mais bela flor
Marcos Leonidio

tenro doces lábios
alvorecer pleno
império de sentimentos
que faz-me vagar sem tempo

beleza pura profana
primavera fora de época
imensidão azul
no coração da floresta

desvio abundante
de vorazes desejos
todos à flor da pele
sem medos e sem receios

doce flor de rara beleza
arraigada de sonhos
intempestivos e desconstruídos
vazão de perfume de rara fórmula
que toma conta de todos os sentidos

doce névoa da montanha
cercada do verde-azul mais belo
vives nas minhas entranhas
e cultiva, sonhos meus singelos!

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Não queria que nosso amor fosse racional


NÃO QUERIA QUE NOSSO AMOR FOSSE RACIONAL
Marcos Leonidio


Não queria que fosse
racional esse amor
preferia que as coisas
acontecessem como uma
trombada de trem
estrondosa e definitiva

Uma grande paixão
toma conta mesmo
gosta muito de gracejos
transforma o ar: rarefeito
compõe todo e qualquer desejo

Não queria que fosse
racional esse amor
preferia que tudo saísse
do controle
que nos misturássemos
como rolos-compressores

Uma grande paixão
não tem regras
não suporta esperas
e põe o sangue em ebulição

Não queria que fosse
racional esse amor
preferia que ele
atropelasse anseios
e nem justificasse os meios
desde que, juntos pudéssemos
viver cada desejo

Você racionalizou
nosso amor
me desarmou
e assim
perpetuamos seu fim!

Entreaberta




ENTREABERTA

A porta permanecerá aberta
aguardando você adentrá-la.
Mas [...]
não demore muito,
aos poucos, naturalmente,
ela irá se fechar
e uma vez fechada,
ela não se abrirá jamais!

Marcos Leonidio

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Notável anomalia



NOTÁVEL ANOMALIA
Marcos Leonidio

jumentos voavam
sobre minha cabeça
em plena inexatidão sertaneja
era fértil, febril e cristalino
o grande mar vermelho
que de tanta ressaca, tava tonto

carijós atraentes
conquistavam gaivotas reluzentes
na amena noite sem luar

mariposas vaga-lumeavam
por entre os xique-xiques
grenás de desesperança

pulsava em minha veias
desvarios bem comportados
por entre fogosas
sensações, sedas e meias

um horizonte rochoso
se formava ao leste
cravejado de sons multicores
todos reverenciavam a grande mestre

lembranças futuristas
aguçavam meu imaginário
nada mais purista
que o revés dum incendiário

cenas imergiam e emergiam
no meu subconsciente abalado
naufragados, meus sentimentos
se perdiam por entre flores e espinhos
ressecados pelo Tempo [...]