terça-feira, 29 de janeiro de 2008

O Tempo


O TEMPO – m.leonidio

O Tempo é o Senhor das nossas emoções
ele mede a temperatura dessas erupções
que permeiam nossas vidas em diferentes momentos

O Tempo é o curador das paixões,
das tristezas, das alegrias, dos grandes amores, das grandes decepções [...]

O Tempo nos liberta de certos sentimentos, de certos pensamentos,
mas também nos prende a certos movimentos, nos mantém presos
a memórias e histórias que percorrem cada pulsar [...]

O Tempo é voluntarioso, menino manhoso,
sabe como seduzir nossos ideais e como confundir
nossas idéias, nossas buscas nem sempre tão certas [...]

O Tempo é o gestor consagrado de tudo que vivemos
e está sempre nos sinalizando quais são nossos limites:
emocionais, psicológicos, materiais, amorosos, odiosos,
imateriais, indesejáveis, desejáveis, ardilosos, corporais, existenciais [...]

O Tempo não convém a quem tem pressa
e nem a quem é vagaroso demais
cada um tem que ajustar e equilibrar suas ações
e reações no seu momento exato, nem antes e nem depois [...]
ou será punido impiedosamente, sem qualquer chance de volta!

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Amor arisco



Amor arisco
Marcos Leonidio

Preciso navegar
no azul-verdejante
dos seus olhos
desvendar doces mistérios

Preciso me aprofundar
por entre suas carícias
viver o melhor da vida
desfrutando vorazes delícias

Preciso racionalizar
todo esse envolvimento
tentar entender
o revés de cada movimento

Preciso me desvencilhar
de emoções circunstanciais
transformar em equilíbrio
erupções e desejos emocionais

Preciso me libertar
correr todos os riscos
nessa doce loucura, afundar
seduzir esse amor arisco
realocar os imprevistos [...]

Triste movimento



Triste movimento
Marcos Leonidio

Estou me monitorando
de dentro pra fora
de fora pra dentro

Preciso entender
o que anda acontecendo!
rever conceitos
reavaliando movimentos

Estou me desconcentrando,
envolvido em tantos movimentos
caminho por várias frentes
diluindo ou fomentando sofrimentos

Preciso sacramentar
tantas ações, tantos inventos
mas para caminhar
tenho que viabilizar experimentos

Estou me perdendo
minha essência está afetada
são amargos sentimentos
de tristeza indesejada!

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Quebra-cabeças



Nosso amor era um quebra-cabeças de 1.000 peças.
Aos poucos, estava eu desvendando esses encaixes,
seus mistérios [...] materializando uma tão bela imagem.
Quando eu sentia que era dono da situação, deu pane [...]
Um vendaval de incertezas espalhou grande parte das peças
e ocultou tantas outras, inviabilizou a plenitude tão sonhada.
Joguei a toalha e jamais consegui recompor toda aquela volúpia
que dava aderência e sustentação a cada momento que vivíamos.

Marcos Leonidio

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Que mulher é essa!



Que mulher é essa!
m.leonidio

Que mulher é essa [...]
que insiste povoar meu imaginário
desdenha de mim
sem precisar muito se esforçar
atrai-me com seu andar ou seu olhar

Que mulher é essa [...]
pele alva, cabelos negros
me enlouquece quando passa
e aguça incontroláveis desejos

Que mulher é essa [...]
dona duma exuberância singela
é misteriosa-excitante
me dá asas,
mas também fecha portas e janelas

Que mulher é essa [...]
tão diferente,
ternura em forma de gente
doce anjo de pele quente
menina-perigosa-ardente!

Que mulher é essa [...]
que parece surreal
será que a criei: ‘impossível’
ou será natural
sofrer pela sua presença inverossímil?!

Que mulher é essa [...]
que sorri provocadora
não vive na minha
vive em outra
mas imprime sua presença sedutora

Que mulher é essa [...]
mar azul em pleno deserto
vasto campo de flores raras
atração de irresistível beleza
num encontro quase aberto
és incompreensível certeza [...]
dum amor exuberante, decerto!

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Introspecção



INTROSPECÇÃO
Marcos Leonidio


Um silêncio profundo
intenso [...]
tomou conta de mim

Fiquei três dias
sem proferir uma palavra
anestesiado [...]
segui desintegrado

Me exilei entre
seus olhos
e seus pensamentos
tentando prover argumentos

Falei muitas vezes
comigo mesmo
diante do espelho
e não me reconheci
do outro lado [...]
desconstruí impressões
antes nítidas

Distante da realidade
caricaturei outras saídas
reações distraídas
transformaram deformidades
mal pressentidas
em buscas quase consentidas

Pluralidade de sentimentos
manifestaram-se sincronizados
tudo misturado [...]
num mesmo momento
e ordenaram movimentos
antes fragmentados!

Louvor ao amor



LOUVOR AO AMOR
Marcos Leonidio

Louvemos todas as formas de amor
Amores não realizados
amores platônicos
amores enviesados
e até amores biônicos

Louvemos todas as formas de amor
Amores proibidos
amores esquisitos
amores divididos
e até amores esquecidos

Louvemos todas as formas de amor
Amores colegiais
amores maduros
amores ancestrais
e também amores imaturos

Louvemos todas as formas de amor
Amores passionais
amores embevecidos
amores hormonais
e até amores sem libido

Louvemos todas as formas de amor
Amores imperceptíveis
amores explícitos
amores perecíveis
e também amores bem-vividos

Louvemos todas as formas de amor
Amores heterossexuais
amores diferentes
amores homossexuais
e até amores dissidentes

Louvemos todas as formas de amor
Amores com afinidade
amores de paz e de guerra
amores sem maldade
e também amores de outras terras

Louvemos todas as formas de amor
Amores vai-e-vem
amores constituídos
amores que vão pro além
e até amores intempestivos

Louvemos todas as formas de amor
com muito ou pouco pudor
louvemos a irmandade das almas
seja em que plano for [...]

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

A mais bela flor



A mais bela flor
Marcos Leonidio

tenro doces lábios
alvorecer pleno
império de sentimentos
que faz-me vagar sem tempo

beleza pura profana
primavera fora de época
imensidão azul
no coração da floresta

desvio abundante
de vorazes desejos
todos à flor da pele
sem medos e sem receios

doce flor de rara beleza
arraigada de sonhos
intempestivos e desconstruídos
vazão de perfume de rara fórmula
que toma conta de todos os sentidos

doce névoa da montanha
cercada do verde-azul mais belo
vives nas minhas entranhas
e cultiva, sonhos meus singelos!

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Não queria que nosso amor fosse racional


NÃO QUERIA QUE NOSSO AMOR FOSSE RACIONAL
Marcos Leonidio


Não queria que fosse
racional esse amor
preferia que as coisas
acontecessem como uma
trombada de trem
estrondosa e definitiva

Uma grande paixão
toma conta mesmo
gosta muito de gracejos
transforma o ar: rarefeito
compõe todo e qualquer desejo

Não queria que fosse
racional esse amor
preferia que tudo saísse
do controle
que nos misturássemos
como rolos-compressores

Uma grande paixão
não tem regras
não suporta esperas
e põe o sangue em ebulição

Não queria que fosse
racional esse amor
preferia que ele
atropelasse anseios
e nem justificasse os meios
desde que, juntos pudéssemos
viver cada desejo

Você racionalizou
nosso amor
me desarmou
e assim
perpetuamos seu fim!

Entreaberta




ENTREABERTA

A porta permanecerá aberta
aguardando você adentrá-la.
Mas [...]
não demore muito,
aos poucos, naturalmente,
ela irá se fechar
e uma vez fechada,
ela não se abrirá jamais!

Marcos Leonidio

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Notável anomalia



NOTÁVEL ANOMALIA
Marcos Leonidio

jumentos voavam
sobre minha cabeça
em plena inexatidão sertaneja
era fértil, febril e cristalino
o grande mar vermelho
que de tanta ressaca, tava tonto

carijós atraentes
conquistavam gaivotas reluzentes
na amena noite sem luar

mariposas vaga-lumeavam
por entre os xique-xiques
grenás de desesperança

pulsava em minha veias
desvarios bem comportados
por entre fogosas
sensações, sedas e meias

um horizonte rochoso
se formava ao leste
cravejado de sons multicores
todos reverenciavam a grande mestre

lembranças futuristas
aguçavam meu imaginário
nada mais purista
que o revés dum incendiário

cenas imergiam e emergiam
no meu subconsciente abalado
naufragados, meus sentimentos
se perdiam por entre flores e espinhos
ressecados pelo Tempo [...]

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Dissonância



DISSONÂNCIA


Você não quer falar comigo
Mas eu quero falar contigo

Você não quer viver comigo
Mas eu quero viver contigo

Você não quer estar comigo
Mas eu quero estar contigo

Você não quer ficar comigo
Mas eu quero ficar contigo

Você não quer sonhar comigo
Mas eu quero sonhar contigo

Você não quer amar comigo
Mas eu quero amar contigo

Você não quer namorar comigo
Mas eu quero namorar contigo

Você não quer me compreender
Mas eu insisto em ser compreensivo
Você não quer me encontrar
Mas eu faço questão de te achar
Você não quer me dar uma chance
Mas eu faço o possível pra te alcançar

Você não quer mais me ver
Mas ainda assim eu quero ter você
Você já não me suporta
Mas eu ainda bato à sua porta

Você não me quer [...]
não me quer [...]
não me quer [...]
Mas eu só quero
Só quero [...]
Só quero [...]
Você!
Estamos caminhando em estradas paralelas
Mas nosso sonho segue distante
Em diferentes planos de diferentes esferas
Nossa vontade é caminho dissonante!


Marcos Leonidio

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

sina do sertanejo



sina do sertanejo
M.Leonidio


no veio da terra
ressecada
da caatinga
dissecada
pela estiagem
sem-fim
o que será de mim?

sertanejo
quérendo umidade
chuva abundante
não tenho mai lágrima
suplico humanidade
e não tenho mai vontade
de ir pra cidade
quero minhas raízes
tomar banhi de rio
dançar meu baião
com minha nega
arrastando poeira
tomar minha cachaça
falando besteras

sô cabra-da-peste
mai tô definhando
feito o gado fantasma
que pastava no meu pedacim-de-terra

a tristeza no oiar
dos meus onze fis
me trazem um ar amargo
de condenação quase definitiva

não vô desisti
vô rezar pra Padim Ciço
e Ele há de me guiá

do meu sertão
não me vô
aqui nasci
ninguém vai me tirá daqui

o diabo
é que o demo
o coisa-ruim
insisti em me persuadi
qué me enfraquecê
mai só saio daqui
no dia em quéu morrê [...]

terça-feira, 18 de setembro de 2007

o tempo



o tempo

tempo voraz
que me consome
que engole tudo a volta
que não pára por nada
que não dá trégua
que não volta jamais

tempo
dono de sucessões intermináveis
de acontecimentos um após o outro
ou simultaneamente
tempo
elemento imaterial
que transforma tudo
e tudo transforma

tempo
que aflora nascimentos
que transforma arrependimentos

tempo
que não vacila
que não perdoa erros
que faz até gracejos
com ações da nossa vida

tempo
que vem pela frente
que nunca vira de costas
para assuntos pertinentes

tempo
que derruba certezas
e aguça tantas outras incertezas

tempo
insuficiente
que nunca nos satisfaz
que transforma em breve momentos
quase todos os suplicos de paz

tempo
inviolável
que não permite exageros
bem não-renovável
que nos transforma em prisioneiros

tempo de luz
tempo de trevas
tempo de paz
tempo de guerras
tempo de amor
tempo fértil
tempo de dor
tempo estéril
tempo de sêca
tempo de descobrimento
tempo de chuva
tempo de desconhecimento
tempo de silêncio
tempo de reflexão
tempo de barulho
tempo de alienação
tempo de tolerância
tempo de alegria
tempo de ditadura
tempo de guerra-fria
tempo de entendimento
tempo de paixão
tempo de afastamento
tempo de desilusão
tempo remoto
tempo de idolatria
tempo abundante
tempo de sabedoria

tempo, tempo, tempo
como eu gostaria
poder te dominar [...]
mas você é um cavalo alado
não se permite montar!

Marcos Leonidio

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Divagações orientais



DIVAGAÇÕES ORIENTAIS
Marcos Leonidio

Vou estudar física quântica
meditar no Tibet
me arvorar pelo desconhecido
pra ver se encontro
um jeito de reativar
sonhos adormecidos

Vou navegar pelo hemisfério norte
conhecer espécimes raras em Galápagos
tentar ludibriar a morte
fazer um exercício permanente
pra mim mesmo
sobre questionamentos
quase intermitentes

Vou prolongar minha estada pelo Oriente
tentar decodificar as culturas hindus
esquecer as afirmações do Ocidente
seja espiritualmente ou a olho nu
fugir das inquietações
de um mundo cinza
e menos azul

Vou ouvir mantras indianos em Bombaim
sem compromisso com a materialidade
que nos faz refém de nós mesmos
tentar entender um pouco de mim
longe da complexidade social
que distancia e faz as relações menos humanas
numa sociedade desigual

Vou explorar as montanhas do Himalaia
adormecido pelo Tempo
buscar encontrar respostas
que satisfaçam um juramento
talvez elas estejam nas encostas
escritas em sânscrito
ou numa luz do pensamento


Vou perambular pela Muralha da China
tentar me equilibrar pela razão
eliminar da minha mente
todas as curas capitalistas
que fomentam grandes nações
em detrimento da preservação da natureza do Homem
fugir dos tentáculos
das convicções imperialistas

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

paradoxos



PARADOXOS
marcos leonidio


nem toda busca
almeja um fim
nem todo sonho
se materializa

nem todo beijo
encontra uma boca (sedenta)
nem todo abraço
encontra outros braços

nem todo caminho
encontra um destino
nem toda alegria
se transforma em magia

nem toda ternura
amacia a dureza
nem todo clamor
é objeto transformador

nem toda profundidade
é o suficiente
nem toda afinidade
resolve impasses

nem toda beleza
é cativante
nem todo carisma
é o bastante

nem todo fruto
é suficiente-doce
nem todo muro
é fator-segregado

nem toda verdade
resolve injustiças
nem toda mentira
elimina premissas

nem todo vento
é suave brisa
nem todo pensamento
é fator que regozija

nem toda volúpia
é tesão
nem toda angústia
é tensão

nem toda manhã
representa esperança
nem toda noite
tem força e pujança

nem todo fim
é definitivo
nem todo começo
é natural-instintivo

certo na vida
é a morte
a boa e má sorte
que devemos
nos guiar pelo norte
que certos atalhos
não dão em lugar algum
que é possível
fugir do lugar comum
e é preciso tentar...
tentar... tentar...
nunca desistir
insistir o suficiente
para viver
mesmo na contra-mão
uma vida diferente!

terça-feira, 28 de agosto de 2007

afagos do imaginário



afagos do imaginário
m.leonidio


tuas mãos
doces mãos
se encontram
com meus desejos
navegam meu corpo
enrijecem meus músculos
açoitam meu querer
antes, durante ou após o crepúsculo
de um anoitecer
de um amanhecer
me tiram do eixo
de mim mesmo
não consigo entender
onde começa
onde termina
cada gozo
cada beijo!

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Alma fria



ALMA FRIA
Marcos Leonidio

Arrefeceu
o sonho
o desejo latente
a vontade desesperada
o beijo caliente
e o impulso de dar porrada

Arrefeceu
o desejo de reclamar
a capacidade da paciência
o doce esperar
de uma triste ausência
e o exercício de suplantar

Arrefeceu
os caminhos do reencontro
a vontade de caminhar
os lampejos daquele sonho
de sempre querer amar


Arrefeceu
os espasmos de calor
que alegravam nossa trajetória
os pactos de amor
que permeavam nossa história
e até a intensidade da dor

Arrefeceu
as crises contundentes
daquele amor viril
as tensões proeminentes
transformadas em reações infantis
e até as vontades remanescentes

Arrefeceu
o desejo de reaver
a possibilidade de ter calma
as ondas de calor
de um breve amanhecer,
arrefeceu
o alimento propulsor da alma!

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

O lado bom e o lado ruim das coisas




O lado bom e o lado ruim das coisas

Marcos Leonidio


Se você ama e é amado
tem um amor correspondido
você se sente o próprio príncipe encantado
o rei do pedaço!

Se você ama e não é amado
não tem seu sentimento correspondido
você se sente um cão abandonado,
um objeto largado e vive escondido
feito um bandido!

Se você alcança objetivos
sua auto-estima fica ereta
você só vê bons motivos
e a vida é muito mais concreta
você é só sorrisos!

Se você não realiza seus sonhos
mais básicos, mais necessários
você se sente no ralo, diminuto
um fracassado marginalizado
um virtual moribundo!

Se você enxerga perspectivas reais
a vida fica mais colorida
você encontra boas alternativas
e sua busca se torna efetiva
com deduções seletivas!

Se você só enxerga o marasmo
o fim trágico do imaginário
você mesmo não querendo, segue o rastro
de um apregoado e infeliz mal-desnecessário
de espectros reacionários!

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Esquinas da vida



Esquinas da vida


Os caminhos da vida
não seguem uma rota exata
por vezes, nos faz trafegar
em direções opostas,
em paralelas sem conexão
em travessas que não dão
em nada
em estradas
com destino a lugar nenhum...

Tudo é repensado
e ferozmente, no nosso íntimo
reavaliamos com senso crítico
e crivo inflexível
as bobagens que realizamos.
Aí, continuamos penando,
talvez por falta de ousadia
ou escassas oportunidades,
talvez por excesso de rebeldia,
entrelaçada numa ilusória liberdade.

Enfim, chega-se a esquina da vida
cercada por caminhos e placas
que indicam diferentes direções,
coração bate mais forte,
é preciso concentrar
acionar nossa percepção
aguçar nossa essência mais profunda
humanizar nossa razão mais serena
e seguir numa estrada única,
capaz de nos transportar
e nos levar a materializar
nossos mais audaciosos sonhos!

Marcos Leonidio